sábado, 31 de maio de 2014

Desvaneios?

Acho que não tenho nada a comentar sobre este assunto. Só escrevi o que me veio à cabeça... Leitores, a distância não é NADA!

Uma música para acompanhar na leitura:


Como irei começar isto? Por um simples olá? Neste momento, tenho necessidade de te atingir com umas simples palavras. Quero brincar, tal como tu brincaste. Mas, meu caro amigo, a minha brincadeira não é uma qualquer. É um desabafo.  

Sabes, nesta vida há duas fases, o Antes e o Depois. O Antes baseia-se nos sentimentos bons de tudo o que já sentimos. Baseia-se naquela pequena esperança de um dia poder a vir ser muito feliz.  O Depois… Ó o Depois! É criado após as lembranças e esperanças de algo alegre que nos ilumina a vida, é aquele trago amargo de coisas por dizer e fazer ou por acontecimentos desprezáveis – só para não dizer, de maneira direta, tristes.

Acho que estás lá no meio. Ainda não sei como te definir nesta curta vida. Talvez como alguém que já me apoiou e me fez feliz?

Considero-me, pessoalmente, uma pessoa um pouco irracional e fria neste assunto da vida. Não quero chorar… Não me apetece fazê-lo! Será um desperdício de energia e tempo! Por isso, como sempre, a minha dor e raiva vai-se acumulando até um dia em que a rolha, desta grande garrafa, arrebente. Aí, vão ser dias terríveis. Vou andar mal disposta e a chorar pelos cantos como uma pequena adolescente indefesa. Vou só querer um abraço amigo de alguém que me apoie e diga “está tudo bem, isso passa logo”, mas, para não variar muito, vou afastar a pessoa e dizer-lhe que estou ótima! Vou dizer-lhe que é apenas o cansaço. Vou assegurá-la que não precisa de se preocupar comigo. Que é só um momento de cedência para o lado negro da vida. Sei que depois de assegurar a pessoa que está tudo normal, vou ter de entrar naquela rotina de alegria. Vou sorrir e rir. Nem que doa a alma. Aos poucos vou voltar ao Antes. Vou voltar a ser aquela adolescente alegre e respondona. Sei que vou voltar ao normal! Talvez isto tudo não passe de desvaneios…


P.S: “A distância fere-me muito”, não é a distância, é as pessoas. Nunca deixem dizer que é a distância, porque a distância não tem culpa das ações das pessoas.
                                                                                            -De alguém com problemas.
                                                                                                                       -F

sábado, 12 de abril de 2014

Esperança


Olá, finalmente trouxe o conto :D Espero que gostem.
Já agora um aviso, nós criamos uma página no face sobre leitura. Passem por lá, por favor. Link: https://www.facebook.com/leiturassecretas?ref=hl
 
Aqui vai uma música para acompanhar o início da leitura:
 
 
 
 
 
 
-Tenho medo papá. – Chorei encolhendo-me no colo do meu pai.

-Porquê minha pequenina? – Sorriu calorosamente.

-Tenho medo que a mamã nunca mais volte do médico.

-A mamã vai ficar bem princesinha. – Assegurou o meu pai com uma lágrima no canto do olho.

 

Estava de volta a este hospital horrendo, a esta mesma sala de espera enquanto recordava a lembrança de quando a minha mãe soube que tinha cancro e que só tinha quatro meses de vida. Esta sala parecia estar mais alegre do que á vinte anos atrás. Também era de esperar. Estamos quase na época natalícia, só faltam dois meses para o Natal, mas mesmo com estas decorações e a faixa pendura em cima do balcão de informações a desejar um feliz ano de 2450, a sala cheirava a doença, a tratamentos, a vidas desperdiçadas, a novas vidas, a vidas prolongadas, a pessoas recuperadas, a pessoas em sofrimento e a esperança, apesar de não ser nada fácil estar ali.

Tal como eu, várias pessoas estão dependentes de tratamento contra uma doença qualquer. No meu caso é cancro nos pulmões, tal como a minha mãe. Tenho vinte e seis anos, sou uma mulher feita. Tenho um trabalho, uma casa e um pai. Nada de irmãos, irmãs, primos, tios e por aí em diante. Só sou eu e o meu pai, mais ninguém. Sou o que se pode chamar de bem-sucedida no seu próprio trabalho.

 Observei um pequeno robô de um metro. Parecia uma pessoa, melhor, um anão. Continuei a observá-lo. O robô mudou o programa que estava a dar numa televisão incorporada na parede. Deu meia volta e desapareceu na esquina.

-Valéria Nunes. – Chamou uma voz masculina pelo altifalante transparente colocado na parede. – Consultório quatro.

-Pai. Fica aqui. Eu vou sozinha. – Sorri e dei-lhe um beijo na testa.

-Tudo bem pequenina. – Tantos anos que se passaram e o meu pai ainda não me deixara de  chamar pequenina.

Peguei na minha mala e dirigi-me para o consultório. Bati à porta e ouvi a mesma voz masculina. – Entre.

Entrei e vi que não era o médico que seguia o meu caso. – O Dr. Silva não está?

-Está doente. Eu vou substituí-lo. Sente-se. – Ordenou apontando para as duas cadeiras que tinha à frente dele. – Estive a ler o relatório do Dr. Silva sobre si vezes sem conta. Devo dizer que fiquei intrigado por não querer ser operada. – Calou-se como se estivesse à espera de uma explicação.

-Sim. – Olhei para a placa onde tinha o nome dele preso à bata. Chamava-se Nuno Rodrigues. – Não quero fazer a operação. 

-Porquê? – Perguntou passado alguns segundos.

-Se fizer a operação tenho sessenta por cento de possibilidade de morrer. – Olhei para os meus pés. – É uma probabilidade muito grande. Não posso morrer rapidamente. Tenho de cuidar do meu pai…

-Mas também se não a fizer morrerá de certeza! – Falou duramente.  

-Talvez consiga melhorar com os novos tratamentos… - Tentei sorrir.

-Talvez... Mas não é certo. – Não moveu nenhum músculo da cara. – Esta operação é delicada. É das novas cirurgias, ainda não foi muito experimentada. Aposto que se a fizer conseguirá sair do bloco operatório com o pulmão completamente regenerado.

-Mesmo assim é uma probabilidade muito alta… Não posso decidir assim, tenho de pesar as coisas. – Olhei-o nos olhos azuis.

-A senhora é que sabe. Ninguém a pode obrigar. – Começou a mexer nuns papéis. – A sua nova consulta está marcada para de hoje a quinze dias. Enquanto isso continue a fazer o tratamento com os medicamentos em casa e tem de vir ao hospital dia sim, dia não para fazer um tratamento ainda mais extensivo. – Começou a escrever num papel. – Aconselho-a a não fazer grandes esforços, a por baixa no trabalho e a descansar muito. – Olhou para mim de novo com um ar de preocupado. – Se tiver muitas dores tome isto. – Passou a receita para a minha mão.

-Obrigado. – Meti dentro da minha mala. – Bom fim-de-semana. – Levantei-me e sai do consultório.

Dirigi-me para a beira do meu pai. Ele estava a falar com uma senhora já idosa e estava a ajudá-la a levantar-se. Quando me viu sorriu e apontou para mim, para a senhora ver quem era. Aposto que estava a dizer coisas como por exemplo: é aquela a minha menina, tem os olhos da mãe, é linda como a mãe. São coisas que o meu pai dizia sempre às pessoas.  

-Paizinho. Vamos embora? – Sorri debilmente.

-Sim minha filha. Vamos lá. - O meu pai despediu-se da senhora, pegou no seu casaco e agarrou-se ao meu braço. – Como foi a consulta? O que o Dr. Silva disse? 

-Não foi o Dr. Silva, foi outro médico. E ele disse que eu estava a recuperar bem. – Menti ligeiramente e para reforçar a minha mentira, sorri. – Por acaso disse que sou capaz de viver mais uns anos se for bem cuidada.

-Já não precisas de fazer a operação? – Olhou-me desconfiado.

-Não. 

-Porque me mentes tão descaradamente Valéria? Eu conheço-te. – Entregou os cartões do hospital no balcão. – O que realmente o médico disse? 

-Pai… Deixa lá, eu vou melhorar! – Sorri e pus o meu braço à volta dos ombros dele. – O que interessa é que ainda vais aturar-me durante mais algum tempo!

-Val, por favor, não digas como se fosse pouco tempo. – Parou-me e agarrou-me os ombros. – Promete-me que vais fazer a operação!

-Pai, não é assim tão fácil…

-Porra, promete-me! – Berrou comigo já meio alterado. – Promete!

-Está bem, eu faço a operação quando não houver mais nada. Quando as coisas estiverem a ficar realmente pretas eu faço a operação. – Comecei a chorar. O meu pai abraçou-me fortemente e acariciou-me a cabeça.

-Pronto pequenina, já passou. Vamos embora daqui.

Caminhamos por mais um bocado até chegarmos ao carro. O meu pai passou-me as chaves e deixou-me guiar até casa. Nossa, adorava carros e motos. Deslizavam tão bem na sua maneira flutuante pelas compridas estradas.

 

                                                               ********************

 

 Eram 6h30 da manhã de um domingo. Não tinha conseguido dormir nada. Revirei-me durante toda a noite de um lado para o outro. Não sabia o que fazer. Desci até á cozinha para ir beber um copo de leite frio. Tentei passar o maior tempo possível a fazer alguma coisa, a lavar a cozinha, a casa de banho, a regar as plantas e mesmo assim ainda não tinha passado muito tempo. Eram só 8h da manhã.

Estava farta de estar em casa, portanto vesti uma roupa confortável, peguei nuns livros infantis da estante e guiei até o hospital. Dei entrada no balcão e segui para a ala das crianças doentes. Fui buscar algumas crianças ao quarto e aconcheguei-as na sala de divertimento. Puxei uma cadeira e comecei a ler-lhes algumas histórias. Á medida em que fui lendo, muitas mais crianças e enfermeiras juntaram-se a minha volta só para escutarem por um bom momento a história. – E, assim, a Bela e o Monstro viveram felizes para sempre. – Sorri para todos. As crianças começaram a pedir outra história e a seguir mais outra, até que fiquei sem nenhum livro para ler. Depois de prometer que voltava lá com mais histórias reparei que estava quase na hora do almoço.

Olhei em volta e as crianças já estavam a voltar para os seus quartos, menos uma. – Olá pequenina, como te chamas?

-Cristina. – Olhou muito timidamente para o chão. – Muito obrigado por ter vindo cá visitar-nos. – Deu-me um abraço rápido e correu de volta para o seu quarto.

-Ela é muito tímida. – Falou uma voz masculina um pouco familiar. – Quase nunca fala com ninguém. – Olhei para trás. – O que faz aqui senhora Valéria? Pelo que me pareceu tem um pouco de nojo por hospitais.

-Estava às voltas em casa, pareceu-me bem vir para aqui visitar algumas crianças Dr. Rodrigues. 

-Tenho a certeza que elas todas ficaram muito contentes. – Sorriu.

-Sim, talvez… - Tentei sorrir. – O que faz aqui?

-Também vim visitar algumas crianças. Principalmente a Cristina,- riu um pouco perante a minha cara de confusa – é a minha única sobrinha.

-Ah, que ela tem? – Inclinei a cabeça

-Se me acompanhar no almoço, eu conto-lhe.

-Tudo bem. – Respondi intrigada pelo problema daquela criança.

Caminhamos em silêncio lado a lado, primeiro até fora do hospital e depois até um pequeno restaurante a um quarteirão de distância dele. O restaurante, como já disse, é pequeno, mas muito confortável. As suas paredes são de cor bege e castanhas. Tem mesas e cadeiras de madeira espalhadas pela sala. Sentamo-nos numa mesa perto do balcão.

-Então, - tossi um pouco para chamar a atenção dele – qual é o problema de Cristina?

-O que vai escolher? – Sorriu e voltou a olhar para a ementa.

-Só uma sopa, mais nada.

-Só isso? Deveria comer mais, com os seus tratamentos… Deveria de se alimentar melhor! – Olhou preocupado.

-Não tenho fome, não se preocupe. – Sorri a emprega que se aproximou e pedi um prato de sopa e um copo de água enquanto o Dr. Rodrigues pedia o que queria.

-Então, já me pode contar?

-A Cristina tem cancro no estômago. – Olhou sem nenhuma emoção visível. – Ela não tem muitas forças, por acaso, hoje foi um dos dias melhores dela… Ela não tem muita esperança de recuperação. – Bebeu um pouco da sua água. – O que fez hoje pelas crianças foi fantástico… Eles adoraram!

-Vou ver se consigo vir visitá-los mais vezes. – Sorri. – Gostei bastante deles!

-E eles de si. – Sorriu também.

Ficamos em silêncio até ao fim da refeição. Voltamos para o hospital e decidi ir, outra vez, até a ala de pediatria.

-Qual é o quarto da Cristina? – Perguntei sem olhá-lo nos olhos.

-Eu levo-a lá. – Acenou com a cabeça para eu o seguir.

Cristina estava deitada de lado na cama, não estava a dormir, mas estava calma como se estivesse a dormir.

-Cristina? – O tio chamou por ela. – Tens uma visita, querida.

Cristina levantou-se a custo da cama e ficou surpreendida quando me viu. Ela sorriu e chegou-se um pouco para a borda da sua cama flutuante e eu, como resposta, sentei-me na borda adjacente da sua cama.

-Olá. – Sorri. – Trouxe-te uma coisa…

Procurei na minha mala o medalhão e olhei para ele antes de o entregar. Ia-me custar dar-lho, pois foi o medalhão que a minha mãe me tinha dado para me proteger, mas, neste momento, Cristina precisava mais do que eu. Era um pequeno medalhão em prata com a imagem de Jesus Cristo.

-Este medalhão foi a minha mãe que mo deu antes de falecer… - Sorri perante as lágrimas daquela inocente e esbelta miúda. – Ela disse-me algo parecido com o seguinte: este medalhão vai ajudar-te, vai dar-te esperança! Acredita nele e conseguirás alcançar o que mais desejas.

-Não posso aceitar, foi a sua mãe que lho deu… - A menina choramingou.

-Aceita. Por mim já nada mais tem a fazer. – Puxei a mão dela e abri-lhe aqueles pequeninos cinco dedos e depositei lá a pequena peça. – Trata-me por tu. Chamo-me Valéria.

-Obrigado Valéria. – Cristina abraçou-me fortemente e por uns minutos ficamos assim abraçadas.

-Tenho de me ir embora. – Afastei-me um pouco. – Tenho o meu pai à minha espera em casa. – Dei-lhe um beijo de despedida no rosto.

Levantei-me e vi que o Dr. Rodrigues estava a sorrir, sorri de volta. Peguei na minha mala e quando ia a sair pela porta, a voz trémula da menina chamou-me.

  -Sim? – Virei-me para ela.

-Vais voltar a visitar-me?

-Claro que vou! – Sorri alegre pela pergunta da menina. – Óbvio que vou! Fiquei encantada por ti! – Pisquei-lhe o olho. Cristina sorriu e voltou a deitar-se mais para baixo em posição fetal.

Já estava a chegar ao meu carro quando senti alguém puxar-me o braço. O Dr. Rodrigues estava a agarrar-me.

-Mais uma vez, obrigado. – Sorriu. – Significou muito para ela.

-De nada Dr. Rodrigues.

-Trata-me por Nuno. – Nuno ainda não tinha largado o meu braço. – Posso tratá-la por Valéria?

-Sim. Podes. – Sorri de volta.

 -Quando é que te volto a ver? – Nuno perguntou.

-Na próxima consulta…

-Não vai haver próxima consulta. – Largou-me e olhou para o chão. – Sou só um substituto para os pacientes do Dr. Silva, mais nada.

-Então acho que não nos voltaremos a ver. – Suspirei ruidosamente.

-Mas eu quero voltar a ver-te Valéria. – Ficou pensativo e eu tentei não olhar para ele. – Que tal no próximo sábado irmos jantar?

Olhei para ele e ele estava a sorrir esperançoso. – Sim…

-Então eu depois entro em contacto contigo para combinarmos melhor como vai ser.

-Tudo bem. – Entrei dentro do carro depois de me ter despedido dele.

 

                              

********************

 

Faltam só três semanas para o Natal e cada vez mais estou a sentir-me mais fraca. Cada dia que passa começa a ficar insuportável levantar da cama. As dores alastraram-se por todo o meu corpo, tanto internamente como externamente. Às vezes, acordo de manhã e não consigo distinguir o escuro do claro. Tem sido semanas insuportáveis. No meio disto tudo, só uma única pessoa conseguia tirar-me de casa. Um homem com os seus trinta anos, de olhos azuis e loiro. Era Nuno. Ele é simplesmente fantástico e atencioso comigo. Ele zela pela minha vida. Faz mais do que devia. Não posso negar que não tenho sentimentos por ele, porque eu tenho! Ele tem insistido comigo para eu fazer a operação, mas eu não tenho a certeza.

Comecei a ter uma dor aguda por todo o corpo e caí ajoelhada no chão da sala. Só ouvi o meu pai a chamar por mim e depois, perdi os sentidos completamente.

 

 

********************

 

Abri os olhos e deparei-me com um teto branco. Olhei para o lado e o meu pai estava sentado na cadeira ao lado da cama e estava a falar com o Nuno.

-Que se passou? – Perguntei confusa e fracamente.

-Tiveste um ataque e foste operada. – Foi o Nuno que falou. – E saíste com um pulmão regenerado. – Sorriu. – Funcionou! Não tens mais cancro!

-Que dia é hoje? – Tentei assimilar a informação toda dentro do meu cérebro.

-Dia 24 de Dezembro. Estiveste em como quase três semanas. Foi a pior parte.

-Ah… Bom… - Olhei confusa para eles. - Daqui a quanto tempo é que tenho alta?

-Esse é outro ponto mau, só daqui a algumas semanas é que podes sair.

-Tanto tempo! – Olhei outra vez para o teto.

-O que interessa é que estás viva, minha filha. – O meu pai sorriu.

 

                              

                                                               ********************

 

 

Era uma da manhã do dia de 25 de Dezembro, dia de Natal. O meu pai já tinha ido embora à meia hora atrás e ainda não tinha conseguido adormecer. Tinha sido um dia exaustivo. Por menos estava recuperada.

-Valéria? – Nuno chamou-me na porta de entrada.

-Sim?

-Vamos dar uma volta, é dia de Natal. – Sorriu e tinha na mão umas quantas mantas. – Vais ter de estar quentinha para irmos lá fora. – Aproximou-se da minha bomba de oxigénio e pô-la em modo de flutuar. Pegou em mim e pôs-me numa cadeira de rodas e levou-me até a uma ponte por cima de um rio.

A noite estava linda apesar do frio de rachar. A lua estava lá no alto com aquele prateado brilhante. Era uma simples paisagem magnífica.

Nuno sentou-se na beira da ponte e ficou a observar-me durante uns longos minutos.

-Vais falar comigo? – Sorri. – Ou só vais ficar ai a olhar-me?

-Vou-te dar uma prenda… - Sorriu de volta. – Espero eu!

-Uma prenda? – Perguntei desconfiada.

Nuno ajoelhou-se diante de mim e pegou na minha mão. Reparei nuns quantos fios de cabelos brancos e sorri. Tantas vezes lhe tinha dito que estava velho.

-Não tens a noção de como foram as últimas semanas… - Brincou com a minha pequena mão. – Tinha medo que nunca mais acordasses. – Suspirou. – Adoro tudo em ti, Valéria. Quero ficar contigo para sempre! – Com a mão livre, Nuno tirou uma pequena caixa de dentro do casaco e abriu-o. – Casa-te comigo.

Olhei para a caixa que continha um bonito anel de noivado e comecei a chorar. – Sim, caso. – Sorri radiante. Nuno agarrou-se a mim num abraço de urso e deu-me um longo e profundo beijo.
 
 
 
Então? Gostaram? :D
 
-F

sábado, 15 de fevereiro de 2014

Sensações


          Boa noite :3 desculpem por só publicar agora :s são muitos testes :s
          Não é o conto, mas é um pequeno texto que decidi fazer.
 
 
 
Nunca sentiram que fazem tudo errado? Que tudo parece errado? Que não sabem por onde pegar para melhorar? Que tudo o que fazem, mesmo que seja com boas intenções, magoa as pessoas? Pois, eu já me senti assim. Ou mudando o tempo verbal: pois, eu sinto-me assim!
    Sinto-me um pouco deslocada, como se este não fosse o meu tempo. Às vezes penso que sou uma mera espectadora neste ciclo vicioso que é a vida. Já se sentiram assim? Ou sou apenas mais uma maluquinha com os neurónios a funcionar de mais e com a mania das conspirações?
    Nunca tiveram medo de acordar um dia e não conseguir encarar o que vos acontece? Um amigo meu disse-me uma vez, que o seu maior medo é um dia acordar de manhã e não conseguir sorrir. Partilho do mesmo medo. Não, não sou deprimida. Tenho é medo. Tenho medo de um dia não conseguir fingir que sou forte e que estou bem. Tenho medo…
    Gostava de ter aquela sensação de que um anjo me protege. Que talvez uma pessoa falecida que já tenha gostado muito de mim me proteja. Era tão bom! Nunca tive sensações como essas.
    Sensações, sensações e mais sensações. Estou farta delas. São sensações infernais que só sabem remoer no meu cérebro. São pensamentos obscuros e marcantes. Não os queria ter…
    A este ponto do texto, talvez estejam a pensar que sou uma doida qualquer que acredita em anjos! Pois bem, sou cristã! Acredito em Deus! Já que acredito, sou obrigada a aceitar os anjos como uma realidade.
   Se sou maluca? Talvez. Se gosto de viver com estes pensamentos? Não. Se penso de mais? Com certeza! Vou mudar? Talvez nunca…
                                                                          - De alguém com problemas
                                                                         
                                                                                                                                                -F


                             Que acharam? :o Obrigado por verem :3 E mais uma vez, desculpem a demora.

quinta-feira, 13 de fevereiro de 2014

A Magia do Natal!! - Parte 3

Peço imensas desculpa para só estar a postar agora a continuação mas é que eu tenho que escrever todos os capítulos à mão antes de os passar para o computador e revisar todo o conto e isso anda demora. Pare além disso, estive cheia de testes.
Desculpem!
Espero que gostem! :)



- Suponho que seja normal, só tinhas quatro anos na última vez que nos vimos. – Responde ele nada ofendido com a maneira com que eu falei com ele.
- Deve ser isso. – Respondo envergonhada.
Não tenho de que me envergonhar! Até à dois segundos atrás ele estava a ser sarcástico e a falar mal da minha mãe.
Nesse momento Mimi entra na cozinha com uma camisola na mão:
- Marie, podes cozer-me… - Ao reparar no meu pai e em Christopher interrompe-se: - Desculpem, não sabia que tínhamos visitas. – Diz olhando para mim admirada.
Tenho a certeza que ela não os reconheceu, tinha apenas dois anos na última vez que viu o nosso pai. A nossa mãe nunca nos mostrou uma fotografia dele, dizia que ele tinha deixado de ser nosso pai a partir do momento que arranjou uma amante. Esta não é a minha opinião mas ela nunca me perguntou o que eu achava sobre este assunto.
Sei que vou ter que lhe contar quem é, mas não quero. Por alguma razão a minha irmã sempre nutriu um certo ódio pelo meu pai mesmo que se esforçasse ao máximo para o esconder, ela sabia que eu ainda o amo.
- Senta-te aqui, Mimi. – Digo indicando a cadeira ao meu lado. Depois de uma breve hesitação, ela sentou-se a minha beira e eu apresentei-a (como se eles não se conhecessem todos!):
- Estes são o Pierre e o Christopher.
- Pierre? – Repete Mimi desconfiada. Depois abana a cabeça negativamente e com uma calma lógica que só ela consegue, diz: - Não, não pode ser o Pierre que eu estou a pensar, esse nunca apareceria cá em casa.
O choque cobre o rosto do meu pai e eu compreendo-o. Depois de ser tão bem recebido por mim ele nunca esperava que a minha irmã tivesse tanto ressentimento dentro dela, ao ponto de não aceitar a sua identidade.
- É esse mesmo Pierre. – Digo suavemente, ela acreditou em mim, afinal nunca lhe tinha mentido. A sua expressão não se alterou nem um bocado com a confirmação do que ela mais temia (ou esperava, não tenho a certeza).
- O quê que estás aqui a fazer? – Pergunta ela ainda calma, parecia que nada daquilo a afetava diretamente.
- Vim ver as minhas filhas. – Respondeu o meu pai, simplesmente. Mais uma vez Christopher ocupou a posição de espectador. Fiquei a olhar para ele e de repente tive um vislumbre dele em criança, pelo menos eu achava que era ele, já que ele me tinha dito que éramos inseparáveis quando crianças. Estávamos a brincar num lago abeira da minha casa de infância, eu estava a rir-me muito enquanto ele atirava-me água para a cara com um enorme sorriso matreiro no rosto. Continuei a observá-lo na esperança que mais daquelas alegres e escassas memorias de infância voltassem, mas não me lembrei de mais nada. Ele olha para mim e ao percebe que eu o estou a observar sorri e pisca-me um olho. Um arrepio sobe pela minha espinha acima e eu desvio o olhar. Sinto-me nervosa a volta dele e isso nunca me tinha acontecido.
- Agora? – A réplica da minha irmã traz-me de volta a realidade. – Depois de 14 anos? Depois de 14 sem nos mandares uma carta ou nos telefonares sequer uma vez? – Ela conseguiu parecer calma e indignada ao mesmo tempo e eu fiquei admirada, não é algo que se consiga fazer assim tão facilmente. – Sabes o que é um telefone certo? – E por fim a ironia, penso, esta sim é realmente a minha adolescente irmã, com todo que a de bom nesta época da nossa vida: hormonas aos saltos e mau feitio.
- Eu mandei-vos uma carta. – Diz. – Após o divórcio voltei a contratar o detetive para vos encontrar outra vez. – Esclarece e olha para mim a procura de apoio.
- O quê? – Pergunta Mimi desconsertada, nunca lhe tinha passado pela cabeça que o nosso pai tivesse tentado encontrar-nos. Ate aos seus 7 anos de idade a minha irmã não parava de falar do nosso pai, passava a vida a perguntar-me como é que ele era e quando é que ele nos vinha buscar, eu respondia-lhe sempre que ele viria um dia. No dia do pai do ano em que ela completaria sete anos toda a sua curiosidade pelo nosso pai desapareceu, quando voltou da escola nesse dia vinha triste e com os olhos inchados de chorar e quando lhe perguntei o que se tinha passado recusou-se a dizer-me. Nunca soube o que se tinha passado naquele dia mas sempre imaginei que tivesse ouvido alguém a falar de nós. Depois disto o nome do nosso pai nunca mais foi mencionado por mim ou Mimi ou mesmo a minha mãe, dentro ou fora de casa, sempre que eu tentava tirar mais alguma informação a minha mãe sobre ele, ela apanhava um bebedeira ainda maior das que costumava apanhar e rapidamente desisti de tentar.
Rapidamente expliquei-lhe o que o nosso pai tinha contado até agora. Mimi manteve-se em silêncio o tempo todo e toda a calma que antes que se pode observar nela voltou mas quem a conhecesse podia perceber que aquilo era só uma mascara.
- O resto é o pai que tem que contar. – Digo.
- Continue. – Diz Mimi, um pouco de esperança soou na sua voz mesmo sem ela querer.
- Eu mandei-vos uma carta meio ano depois do divórcio. O detetive encontrou-vos um mês depois de vocês se terem mudado mas nesse tempo a tua mãe já tinha conseguido pedir a vossa custódia, conseguiu provar que eu era violento e, por isso, nem eu vos podia visitar nem vocês a mim. – Diz. – Sinceramente, nunca percebi como é que ela conseguiu, quando tentei perceber disseram-me que ela tinha arranjado uma testemunha que tinha que permanecer anónima e que era extremamente confiável.
- Continuas o mesmo idiota de à 14 anos atrás. – Ouço a voz da minha mãe falar e percebo logo desde o início que ela esta muuiiiitttoooo bêbeda, como já é normal. Sinto-me envergonhada mas não há nada que eu possa fazer.

- Foi a puta da tua mãe que testemunhou contra ti e também foi ela que me contou do teu caso com a puta da mãe desse ai. – Diz apontando para Christopher, olho para ele, vejo-o a ficar rígido e percinto os problemas a chegarem.


Comentem!!! :) 
- Katra

sábado, 4 de janeiro de 2014

AVISO!

Olá caros leitores :3
Quero agradecer por nos seguirem e pelas 400 visualizações! :3 Se podessem ajudar-nos a divulgar o blog agradeciamos muito.
Venho informar que vou começar a postar :3 vou começar por postar um conto chamado Esperança. Era para ser um conto de Natal, mas como não tive tempo de postar na semana passado, vou postá-lo para a semana que vem, em princípio. 
Mais uma vez, muito obrigado por nos seguirem e bom ano novo :D

-F

segunda-feira, 30 de dezembro de 2013

A Magia do Natal!! - Parte 2

Olá,
aqui está a segunda parte do conto de Natal. Em princípio, amanha postarei a 3º parte.
Peço desculpa por não ter postado mais cedo mas a época natalícia é sempre muito ocupada cá em casa.
Espero que gostem!!!! :)


Levantei-me e abri a porta.
Um homem de mais ou menos 45 anos e um rapaz de mais ou menos 22 anos encontravam-se na entrada da minha porta. O homem tinha cabelos castanhos com algumas mechas brancas, olhos verdes e o seu sorriso era igual ao sorriso com que eu sempre sonhava, pois aquele homem era Pierre, o meu pai.
Fiquei paralisada com a enxurrada de lembranças que voltaram, com a simples imagem do seu rosto. O seu sorriso quando voltava de viagem e via-me a correr para ir ter com ele, o seu olhar carinhoso sempre que me ia deitar, a alegria que tinha de vida (era uma alegria tão grande que até uma criança de 4 anos a conseguia perceber).
- Ola, Marie! – Diz o meu pai ainda a sorrir, ao não me ver reagir acrescenta com o sobrolho ligeiramente franzido. – Sou eu, o teu pai.
- Eu sei. – Respondo eu voltando à realidade. Uma lágrima escorre-me pela cara a baixo e eu não fiz nada para a parar. Em vez disso, afasto-me para o lado e fiz sinal para que eles entrassem. Quando o rapaz passou por mim percebi que ele era realmente lindo, ainda não lhe tinha prestado muita atenção. Tinha cabelo preto, olhos azuis e podia-se perceber os músculos por baixo do fato que vestia.
Conduzo os dois para a cozinha/sala e sirvo-lhes chá. Sento-me envergonhada por não ter mais nada para lhes servir mas a minha mãe já tinha acabado com todas as bebidas alcoólicas cá de casa à muito tempo e o café tinha acabado à dois dias, como ainda não tinha recebido este mês, não tinha dinheiro para desperdiçar com café.
Sento-me na mesa à beira deles e resolvi iniciar a conversa.
- Só li hoje a carta.
- A carta? Mas ela estava endereçada à tua mãe? – Responde-me o meu pai com o sobrolho franzido.
- Ela não se mantém tempo suficiente sóbria para ler a correspondência. – Respondo envergonhada.
- Está tão mau assim?
 - Sim. – Respondo concisa.
- Desculpa. – Diz ele. Nos seus olhos podia-se ver todo o seu arrependimento, senti-me mal por isso. Na minha cabeça a culpa de tudo era da minha mãe mas eu sabia que não era verdade. O meu pai também tinha a culpa de muita coisa, eu é que sempre o considerei perfeito, talvez por a última vez que o vi ser apenas uma criança que idolatrava o pai.
- Porque que nunca nos vieste buscar?
- Porque achei que vocês iam ficar melhor com a vossa mãe, ao fim dum mês pus um detetive atrás de vocês pois queria ver-te e à tua irmã, o detetive demorou certa de meio ano a encontrar-vos. Então, nessa altura que tentei convencer a vossa mãe a deixar-vos vir passar ferias comigo, foi também nessa altura que mandei o divórcio para que ela assinasse, junto mandei uma carta a explicar que não pediria a vossa custodia se ela deixasse vocês irem passar as ferias comigo e disse-lhe que mandaria também 600 euros por mês para ti e para a tua irmã. A tua mãe nunca me respondeu simplesmente mandou-me os papeis do divorcio assinados e fugiu novamente com vocês as duas.
- Eu nem se quer sabia que vocês estavam separados nem que tu nos mandavas dinheiro. – Disse. O meu pai olhou para mim, triste.
- Eu não sabia que as coisas estavam tão mal assim.
- Mas tu na carta disseste que tinhas um detetive a vigiar-nos, como é que é possível não saberes como é que estavam as coisas? – Pergunto-lhe confusa.
- Não sei, sinceramente, não sei. Eu sempre pensei que vocês tivessem pelo menos uma vida segura, em termos de dinheiro. Sempre foi isso que o detetive deu a intender. – Responde ele, parecia um pouco zangado.
- Eu sempre disse que não confiava naquele detetive. – Comenta o rapaz, que eu não conhecia, com desprezo. – Não me admirava nada que a Isabel tivesse pago ao detetive para te mentir durante todos estes anos.
- Com que dinheiro? – Pergunto-lhe eu, acabando por defender a minha mãe mesmo sem querer.
- O que o teu pai mandava para vocês. – Responde ele rapidamente. Não gostei nada que ele, um total desconhecido para mim, estivesse a acusar a minha mãe mas, simplesmente, lhe dirigi um olhar assassino em vez de lhe responder.
O meu pai ao perceber que o ambiente estava a ficar um pouco hostil lembrou-se que ainda não nos tinha apresentado.
- Ó meu Deus! No meio desta confusão toda esqueci-me de vos apresentar. Marie este é o Christofer.
- Nós já nos conhecemos. – Diz o rapaz, que eu agora sei que se chama Christofer, com um ar aborrecido.
- Conhecemos?! – Pergunto espantada. – De onde?
- Da infância. Nós costumávamos ser inseparáveis. – Diz com o olhar suave e um pouco distante, como se estivesse a lembrar-se de alguma coisa.
 - Não me lembro de ti. – Mal acabo de falar e percebo que estou a ser um pouco rude e nem sequer sei porquê.


Comentem, por favor!!!

- Katra

sábado, 21 de dezembro de 2013

A Magia do Natal!! - Parte 1

Aqui está o conto que vos falei... Vou posta-lo por partes, pois é um pouco grande e eu ainda não o acabei de escrever :) Espero que gostem!
Comentem!!! :)


É Natal!
Podemos afirmar isso só de olhar para as montras decoradas com pinheiros de Natal, fitas, bolinhas e luzinhas coloridas a piscar em todo o lado. Como se não bastasse, este ano está a nevar.
No Porto raramente neva no Inverno mas este ano, só para deixar as coisas mais melodramáticas do que já são, neva.
Toda a gente adora o Natal e eu até consigo perceber porquê, quer dizer, receber prendas, juntar a família e montar toda a decoração de Natal parece realmente ótimo e super divertido. Para quem tem uma família.
Eu nunca tive um Natal assim, pelo menos que me lembre. Eu e a minha irmã vivemos com a nossa mãe, não conhecemos mais ninguém da nossa família, nem se quer de fotografias. Quando tinha vinte anos, a minha mãe fugiu connosco de França e consequentemente de toda a nossa família. Eu tinha quatro anos e a minha irmã dois quando isso aconteceu, desde então já se tinham passado quatorze anos.
Esta é uma das razões de porque eu odeio o Natal, ao longo dos anos muitas outras razões foram aparecendo. Por exemplo, o facto de a minha mãe estar sempre bêbada no Natal (ou em qualquer outra ocasião) é também uma razão.
Apesar disso todos os anos, a minha irmã, Mimi, faz questão de elaborar uma grande festa com tudo o que temos direito: árvore de Natal, rabanadas, bacalhau, bolo-rei, pão-de-ló…
Eu consigo percebe-la. Ela não consegue aceitar que nos não somos uma família normal, ela necessita urgentemente de uma família normal. E isto é o que mais me doí, o facto de a minha irmã não conseguir ultrapassar o que se passou à já quatorze anos.
Suponho que fosse mais fácil de ultrapassar o que se passou se, ao menos, soubéssemos que realmente se passou. A única coisa que eu e a minha irmã sabemos é o que a nossa mãe nos contou quando eu tinha mais ou menos 10 anos. Ela contou-nos que o nosso pai tinha uma amante e que ela só conseguia pensar num solução, fugir, disse também que era por isso que bebia tanto. Sinceramente não parece muito verdadeiro para mim, essa não é a imagem que eu tenho do meu pai. Lembro de pensar que ele era o melhor pai do mundo, ele viajava muito mas sempre trazia brinquedos para mim e para a minha irmã. Lembro-me também que os meus pais passavam a vida a discutir mas não consigo acreditar que o meu pai fosse capaz de trair a minha mãe. Mas depois lembro-me que nestes quatorze anos ele nunca sequer tentou encontrar-nos, quer dizer, se realmente gostava assim tanto de nós deveria ao menos tentar encontrar-nos.
 Os dois primeiros anos que passamos em Portugal ficamos a maior parte do tempo em casa de uma vizinhas que tinham pena da minha mãe. A minha mãe não teve grandes problemas de adaptação, vem de uma família que emigrou para França e que atualmente se encontrava muito bem de finanças, então alem de falar muito bem a língua, conhecia muito bem o país pois tinha cá vindo muitas vezes passar férias com a família. Assim sendo, arranjou facilmente emprego, o problema é que mais cedo ou mais tarde os patrões percebiam que ela andava bêbeda em serviço. Durante este tempo, eu tinha esperanças que o meu pai me viesse buscar, em realidade, fazia planos para quando ele me viesse buscar. Finalmente convenci-me que ele nunca viria, então deixamos de ir para casa das vizinhas e comecei a ser eu a tomar conta da minha irmã de cinco anos enquanto eu tinha sete. Também já tinha percebido que a minha mãe não era uma mãe normal por isso tentava manter-nos, a mim e à minha irmã, o mais longe possível dela.
Atualmente tenho dezoito anos e muito pouca coisa mudou na minha vida, a não ser a carta que tinha escondida no meu bolso. Estava dirigida à minha mãe mas ela andava tão bêbeda que tenho a certeza que nunca desconfiaria. A carta vinha de França e estava assinada com Pierre, esse é o nome do meu pai, e esta foi a razão de ter ficado com a carta pois, apesar de já se terem passado quatorze anos, aquela esperança que tinha em criança ainda se encontra viva dentro de mim, mesmo com tudo que fiz para a matar.
Ainda não contei nada à minha irmã, pois esta, mais do que eu, tem esperança que um dia o pai a venha resgatar desta vida difícil. Não quero direciona-la se em realidade não for algo de bom.
Hoje é dia 20 de Dezembro, faltam cinco dias para o Natal, e encontro abro a carta espero que algum milagre de Natal acontece e que esta carta seja algo que possa sustentar as nossas esperanças.
“ Ola Isabel,
Sei que não nos falamos à muito tempo mas na última carta que te enviei há treze anos, quando finalmente te encontrei, avisei-te que voltaríamos a falar sobre as nossas filhas. Agora que Marie é já maior de idade vou a Portugal, preciso de conhece-la e à Mimi também mas sei que não me vais deixar aproximar dela até que ela seja legalmente maior de idade e tu não possas fazer nada contra.
Estarei em Portugal no dia 20 de Dezembro. Não te incomodes em fugir, desde que descobri onde te encontravas que tenho um detetive a enviar-me relatórios sobre as minhas filhas. Saberei onde estás fujam para onde fugirem.
Espero que avises Marie sobre a minha chegada, se não ela vai saber da minha presença de qualquer maneira, só preferia que não fosse um choque para ela.
Até breve,
Pierre.”
Lágrimas escorriam pela minha cara a baixo quando terminei a leitura desta carta. O meu pai sempre quis saber de nós, sempre nos amou, este era o único pensamento que permanecia na minha cabeça.

Neste momento, a campainha tocou.



Até a próxima parte!!!

- Katra

quinta-feira, 12 de dezembro de 2013

Ausência :(

Olá!
Só vim dizer que até mais ou menos dia 20 de Dezembro não vou postar mais nada :(
Estou a escrever uma nova história e não quero começar a publicar ate ter mais ou menos 3 capítulos escritos. Fora isso, também estou a escrever um conto de Natal :)
Espero que não desistam do nosso blog e que gostem das nossas próximas histórias.


- Katra

sexta-feira, 8 de novembro de 2013

Tudo que perdi... - Capitulo 4

Olá!
Desculpem por ter demorado tanto tempo a postar um novo capítulo mas tive cheia de testes.
Queria pedir, mais uma vez, que comentassem porque assim eu sei se alguém algum está acompanhar e a gostar. Se não houverem comentários, eu deixo de postar pois não vou postar uma história que ninguém goste, e tento novamente com outra história :)
Bom, é tudo por hoje, espero que gostem do capítulo!
Beijos :)



Já se tinham passado dois meses desde da conversa que Ana e Adam tinham tido no consultório deste, neste tempo Ana e Adam tinham entrado numa rotina, todos os Sábados e quartas-feiras almoçavam juntos, tornaram-se grandes amigos. A princípio Ana não deixou Adam chegar muito perto, tinha medo que se chegasse perto dele e começasse a gostar dele, ele iria embora tal como toda a gente tinha ido. Mas Adam não lhe deu outra escolha a não ser deixá-lo se aproximar, sempre que ela tinha algum problema ou ficava triste, perdida nas suas memórias, Adam aparecia e a fazia sorrir, então mesmo contra a sua vontade Ana começou a gostar de Adam e ele acabou por se tornar o seu melhor amigo, não que ela fosse admitir isso, pelo menos por enquanto.
Enquanto isso, Adam foi descobrindo dentro de si sentimentos desconhecidos, algo que ele nunca tinha sentido e nunca tinha esperado sentir, especialmente por Ana, a ex-noiva do seu melhor amigo. Naqueles dois meses que ele passou com ela percebeu porque o seu melhor amigo se apaixonou por ela e muito lentamente acabou, também ele, por se apaixonar.
Desde que conseguiu identificar os sentimentos que cresciam dentro de si, ele tinha ataques de culpa por pensar em Ana sexualmente, afinal ela era noiva de Rodrigo.
Ana não tinha nem ideia do que se passa na cabeça de Adam, quando pensava nele era com muito carinho e com algum medo, pois achava que ele ia acabar por ir embora, essa ideia era uma obsessão para ela, e Adam sabia disso.
Hoje iam jantar juntos, pois Ana tinha tido uma reunião e não tinham podido almoçar juntos como de costume. Adam estava um pouco nervoso, ia-se ausentar por três dias para participar de uma palestra numa universidade de medicina e não sabia como Ana ia reagir à notícia. Não queria que ela pensasse que a ia abandonar. Tudo bem, parecia exagerado achar que ela ia entrar em pânico só por três dias mas Adam sabia que ela já tinha perdido muita gente, então ia explicar-lhe tudo direitinho para que ela não sofresse qualquer tipo de ansiedade em relação à sua ausência. Esperava realmente que tudo corre-se bem.
- Boa noite. – Diz Adam dando um beijo no rosto de Ana quando chegou ao restaurante e a encontrou já sentada na mesa à sua espera.
- Boa noite. – Respondeu ela com um alegre sorriso. No último mês, ela tinha começado a sorrir mais, isso agradava muito a Adam. Ana tinha um sorriso lindo.
Adam sentou-se e ficou uns momentos a admirar Ana enquanto ela lia a ementa. Era linda, cheia de vida. Nestes últimos dois meses, Adam tinha visto a alegria que ela sentia pela vida voltar muito lentamente para os olhos de Ana. Sentia-se feliz por ela, era bom ver que Ana voltava a ser como era antes, mesmo que nunca a tivesse conhecido como ela era antes de Rodrigo morrer sabia que era exatamente como estava a voltar a ser. Ele sabia que ela tinha uma enorme alegria de viver pelos relatos de Aurora que todas as semanas lhe ligava a perguntar como estava Ana, esses relatos tinham ajudado a que os sentimentos de Adam por Ana evoluíssem.
- Então? E novidades? – Perguntou Ana depois de se decidir pelo que ia jantar.
- Tenho algumas. – Respondeu Adam evasivo. Não queria falar já sobre a palestra. – Aurora já me ligou esta semana. Vem ao continente no próximo fim-de-semana.
  - Pois é, eu sei – Disse Ana animada. - Ela também me ligou. – O garçon chegou à beira deles naquele momento e Adam agradeceu a Deus pois não sabia sobre o que devia falar a seguir.
Depois de pedirem Adam percebeu que ia ter que falar sobre a palestra naquele mesmo momento pois não conseguia encontrar mais nenhum assunto trivial sobre o que falar (ou talvez fosse o facto de estar nervoso com a reação que Ana teria quando soubesse sobre a palestra) e, ao fim de cinco minutos em silêncio, percebeu que Ana também não tinha.
-Tenho que me ausentar da cidade pelos próximos três dias. – Comentou ele de maneira ligeira. Viu um relance de medo nos olhos de Ana e logo depois eles ficaram indiferentes. Adam ficou tenso à espera da sua reação.
- Vais aonde? – Perguntou Ana muito calma.
- Vou a uma palestra na Universidade de Medicina do Porto. – Respondeu também muito calmo, pelo menos aparentava estar calmo.
- Ok. Então suponho que o nosso almoço de Sábado está cancelado. – Comentou ela distraidamente, como se estivesse a pensar noutra coisa.
- A menos que passemos para jantar, está. – Ana olhou para Adam pensativa e logo disse:
- Podias ir comer lá a casa. Eu não gosto muito de sair à noite para jantar. – Explicou. – Prefiro comer em casa.
- Tudo bem. – Respondeu Adam admirado por Ana o ter convidado para alguma coisa. Até ao momento, nunca o tinha convidado para nada, tinha que ser sempre ele a convidá-la para sair ou para realizarem qualquer atividade que fosse.
O ambiente entre eles tinha estado tenso durante toda aquela conversa, mas ao longo da noite voltou, novamente, ao normal, para grande felicidade de Adam que receava que ela se fechasse em si mesma novamente.
Quando acabaram de jantar, Ana propôs que fossem tomar café ao seu apartamento, o que voltou a surpreender Adam, mas este não demorou muito a recompor-se e aceitar com um alegre sorriso na cara.
Era já meia-noite quando Adam se levantou do sofá de Ana, no seu apartamento, para ir embora. Teria que se levantar às seis da manhã no dia seguinte e já tinha ficado mais tempo do que devia mas, naquela noite, não conseguia deixar Ana. Talvez fosse porque não a ia ver durante três dias (o que não era muito estranho pois não era normal ver Ana muitos vezes a não ser nos almoços que tinham) ou talvez tivesse alguma coisa a ver o com a curiosidade que sentia com a alteração do comportamento de Ana com ele, eram mudanças muito subtis mas quem estivesse tão atento como ele estava, perceberia.
Por exemplo, sempre que Adam lhe tocava, Ana ficava ligeiramente sobressaltada, como se tivesse sentido algo que não devia ou não queria sentir.
- Bom, tenho de ir. – Disse Adam a Ana, levantando-se do sofá. Ana parecia desapontada e esta reação intrigou ainda mais Adam. Ana, normalmente, tentava esconder todos os sentimentos mais fortes (na realidade, ela escondia a maior parte dos sentimentos), quem não a conhecesse poderia dizer que é totalmente fria, com total falta de emoções que mostrava ao mundo.
Adam dirigiu-se para a porta, abriu-a para sair mas antes voltou-se para Ana para se despedir e, no ultimo momento, esqueceu completamente todo o seu discurso de despedida ao reparar, mais uma vez, o quão linda estava e fez algo que, ele pensava totalmente inadequada de fazer com uma mulher que ainda estava de luto pelo seu melhor amigo, beijou-a.


-Katra

sábado, 19 de outubro de 2013

Tudo que perdi... - Capitulo 3

Comentem :)


Aurora já tinha ido à uma semana para a Madeira, e Ana estava a dar-se muito bem no trabalho apesar de só estar sozinha á uma semana.
Muita coisa tinha mudado, no último mês, em Ana. Quem a tivesse conhecido no mês passado não a reconheceria atualmente. Não que já tivesse superado de vez a morte de Rodrigo apenas tinha percebido que ia continuar viva, quer Rodrigo vivesse ou não. Não era suicida, logo matar-se nem lhe passou pela cabeça embora muita gente possa ter pensado que seria esse o seu fim.
A primeira coisa que fez ao perceber que ia continuar viva, foi uma mudança completa de visual: cortou o cabelo pelos ombros, pintou-os de castanho e mudou o seu estilo de roupa. No fim desta mudança sentia-se muito melhor, pensou que, se ia começar de novo, deveria começar em todos os sentidos.
Apesar desta mudança, Ana prometeu a si mesma não voltar a amar pois sempre que o fazia essa pessoa morria e saia para sempre da sua vida. Concluiu então, que iria passar o resto da sua vida sozinha. Esta ideia não lhe agradava nem um pouco, por isso, Ana resolveu realizar um dos seus maiores sonhos: ter um filho.
Para isso marcou uma consulta com Adam para que ele pudesse aconselhar-lhe uma clínica, afinal ele era amigo da família, mesmo assim não sabia que não seria fácil para ninguém aceitar essa ideia.
 
*****Adam*****
 
Adam franziu o sobrolho ao ver Ana entrar no seu consultório. Não a via desde o jantar em casa de Aurora depois do acidente de Ana. Aurora tinha voltado a convida-lo para ir lá jantar, mas Adam preferiu dar tempo a Ana para se adaptar à sua nova vida, além disso, tinha percebido que Ana se sentia desconfortável à sua volta.
- Bom dia, Ana! – Cumprimentou ele. – Estás doente?
- Bom dia. – Respondeu. – Não, não estou doente. Preciso de um concelho.
- Um conselho? – Perguntou Adam espantado por ela ter ido ter com ele a procura de conselhos. – Sobre o quê?
- Quero ter um filho e gostaria que me aconselhasses uma clínica de inseminação artificial. – Quando acabou a sua explicação olhou para a cara de Adam e começou-se a rir.
Adam estava totalmente incrédulo, de todos os assuntos, aquele seria o último que ele esperava que ela falasse.
- Porquê inseminação artificial? – Perguntou ele assim que se recuperou do susto. – Porque não esperas encontrar alguém com quem queiras ter um filho? Ainda és muito nova para pensar numa coisa assim tão drástica.
- Eu não posso voltar a amar nenhum homem.
- Porquê?
- Não posso perder mais ninguém. – Respondeu simplesmente. Adam compreendia-a mas ela era muito nova para considerar aquilo como algo definitivo.
- Não podes fazê-lo. Pelo menos, não já. A morte de Rodrigo ainda é muito recente para ti, tens de esperar pelo menos mais um ano para teres a certeza que estás a tomar essa decisão racionalmente. – Tentou-lhe explicar Rodrigo.
- Tu não estás a perceber! – Disse ela, a sua voz continha um pouco de desespero. – Eu preciso desse filho! Eu não posso voltar a estar sozinha.
- Tu não estás sozinha, tens a Aurora e tens-me a mim. – Respondeu-lhe Adam.
- Aurora está na Madeira e eu mal te conheço. Pelo que eu sei sobre ti podias ser um serial killer. – Adam manteve-se calado durante um momento a considerar tudo aquilo. Ela tinha razão eles mal se conheciam mas ele não podia deixa-la fazer uma estupidez tão grande. Precisava de ganhar tempo.
- Espera dois anos antes de fazeres isso.
- Não posso esperar tanto tempo.
- Um ano então. Eu prometo que fico contigo durante esse tempo. – Prometeu Adam.
- Eu não preciso da tua pena. – Comentou Ana com raiva.
- Não é pena. Eu queria que nos tornássemos amigos antes, mas tu não parecias muito bem para fazer novas amizades. – Disse Adam. – Eu não poderia deixar de querer ser teu amigo depois da maneira como fizeste o meu melhor amigo feliz.
 Ana avaliou-o durante um longo, longo tempo e, por fim, disse:
- Está bem. Um ano e nem mais um dia. – Sorriu triste e acrescentou: - Vamos ver se me aguentas durante tanto tempo. – Levantou-se da cadeira e dirigiu-se para a saída.
- Ana. – Chamou Adam. Ele estava contente por ter conseguido que ela mudasse de ideias. – Amanha queres ir jantar comigo?
- Pode ser. – Respondeu. Adam sabia que não ia ser fácil conseguir a sua confiança ou afeição, não depois que ela tinha admitido que não queria sofrer mais, mas ele sabia que não ia desistir. Ela ia ter que acabar por ceder e ele ia mostrar que nem toda a gente vai embora.

-Katra