sábado, 21 de dezembro de 2013

A Magia do Natal!! - Parte 1

Aqui está o conto que vos falei... Vou posta-lo por partes, pois é um pouco grande e eu ainda não o acabei de escrever :) Espero que gostem!
Comentem!!! :)


É Natal!
Podemos afirmar isso só de olhar para as montras decoradas com pinheiros de Natal, fitas, bolinhas e luzinhas coloridas a piscar em todo o lado. Como se não bastasse, este ano está a nevar.
No Porto raramente neva no Inverno mas este ano, só para deixar as coisas mais melodramáticas do que já são, neva.
Toda a gente adora o Natal e eu até consigo perceber porquê, quer dizer, receber prendas, juntar a família e montar toda a decoração de Natal parece realmente ótimo e super divertido. Para quem tem uma família.
Eu nunca tive um Natal assim, pelo menos que me lembre. Eu e a minha irmã vivemos com a nossa mãe, não conhecemos mais ninguém da nossa família, nem se quer de fotografias. Quando tinha vinte anos, a minha mãe fugiu connosco de França e consequentemente de toda a nossa família. Eu tinha quatro anos e a minha irmã dois quando isso aconteceu, desde então já se tinham passado quatorze anos.
Esta é uma das razões de porque eu odeio o Natal, ao longo dos anos muitas outras razões foram aparecendo. Por exemplo, o facto de a minha mãe estar sempre bêbada no Natal (ou em qualquer outra ocasião) é também uma razão.
Apesar disso todos os anos, a minha irmã, Mimi, faz questão de elaborar uma grande festa com tudo o que temos direito: árvore de Natal, rabanadas, bacalhau, bolo-rei, pão-de-ló…
Eu consigo percebe-la. Ela não consegue aceitar que nos não somos uma família normal, ela necessita urgentemente de uma família normal. E isto é o que mais me doí, o facto de a minha irmã não conseguir ultrapassar o que se passou à já quatorze anos.
Suponho que fosse mais fácil de ultrapassar o que se passou se, ao menos, soubéssemos que realmente se passou. A única coisa que eu e a minha irmã sabemos é o que a nossa mãe nos contou quando eu tinha mais ou menos 10 anos. Ela contou-nos que o nosso pai tinha uma amante e que ela só conseguia pensar num solução, fugir, disse também que era por isso que bebia tanto. Sinceramente não parece muito verdadeiro para mim, essa não é a imagem que eu tenho do meu pai. Lembro de pensar que ele era o melhor pai do mundo, ele viajava muito mas sempre trazia brinquedos para mim e para a minha irmã. Lembro-me também que os meus pais passavam a vida a discutir mas não consigo acreditar que o meu pai fosse capaz de trair a minha mãe. Mas depois lembro-me que nestes quatorze anos ele nunca sequer tentou encontrar-nos, quer dizer, se realmente gostava assim tanto de nós deveria ao menos tentar encontrar-nos.
 Os dois primeiros anos que passamos em Portugal ficamos a maior parte do tempo em casa de uma vizinhas que tinham pena da minha mãe. A minha mãe não teve grandes problemas de adaptação, vem de uma família que emigrou para França e que atualmente se encontrava muito bem de finanças, então alem de falar muito bem a língua, conhecia muito bem o país pois tinha cá vindo muitas vezes passar férias com a família. Assim sendo, arranjou facilmente emprego, o problema é que mais cedo ou mais tarde os patrões percebiam que ela andava bêbeda em serviço. Durante este tempo, eu tinha esperanças que o meu pai me viesse buscar, em realidade, fazia planos para quando ele me viesse buscar. Finalmente convenci-me que ele nunca viria, então deixamos de ir para casa das vizinhas e comecei a ser eu a tomar conta da minha irmã de cinco anos enquanto eu tinha sete. Também já tinha percebido que a minha mãe não era uma mãe normal por isso tentava manter-nos, a mim e à minha irmã, o mais longe possível dela.
Atualmente tenho dezoito anos e muito pouca coisa mudou na minha vida, a não ser a carta que tinha escondida no meu bolso. Estava dirigida à minha mãe mas ela andava tão bêbeda que tenho a certeza que nunca desconfiaria. A carta vinha de França e estava assinada com Pierre, esse é o nome do meu pai, e esta foi a razão de ter ficado com a carta pois, apesar de já se terem passado quatorze anos, aquela esperança que tinha em criança ainda se encontra viva dentro de mim, mesmo com tudo que fiz para a matar.
Ainda não contei nada à minha irmã, pois esta, mais do que eu, tem esperança que um dia o pai a venha resgatar desta vida difícil. Não quero direciona-la se em realidade não for algo de bom.
Hoje é dia 20 de Dezembro, faltam cinco dias para o Natal, e encontro abro a carta espero que algum milagre de Natal acontece e que esta carta seja algo que possa sustentar as nossas esperanças.
“ Ola Isabel,
Sei que não nos falamos à muito tempo mas na última carta que te enviei há treze anos, quando finalmente te encontrei, avisei-te que voltaríamos a falar sobre as nossas filhas. Agora que Marie é já maior de idade vou a Portugal, preciso de conhece-la e à Mimi também mas sei que não me vais deixar aproximar dela até que ela seja legalmente maior de idade e tu não possas fazer nada contra.
Estarei em Portugal no dia 20 de Dezembro. Não te incomodes em fugir, desde que descobri onde te encontravas que tenho um detetive a enviar-me relatórios sobre as minhas filhas. Saberei onde estás fujam para onde fugirem.
Espero que avises Marie sobre a minha chegada, se não ela vai saber da minha presença de qualquer maneira, só preferia que não fosse um choque para ela.
Até breve,
Pierre.”
Lágrimas escorriam pela minha cara a baixo quando terminei a leitura desta carta. O meu pai sempre quis saber de nós, sempre nos amou, este era o único pensamento que permanecia na minha cabeça.

Neste momento, a campainha tocou.



Até a próxima parte!!!

- Katra

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