quinta-feira, 3 de outubro de 2013

Tudo que perdi... - Capitulo 1

Olá, aqui estou eu com o primeiro capitulo. Espero que gostem!!

Começar de novo

A segunda vez que Ana acordou naquele dia viu Aurora, a mãe de Rodrigo, sentada numa cadeira ao seu lado.
- Finalmente acordas-te. – Disse ela. – Bom dia! – Disse alegremente. Ana não conseguia compreender como Aurora podia estar tão alegre quando á apenas 2 meses o seu filhos tinha morrido, mas depois recordou-se que Aurora tinha reagido melhor do que ela com a noticia do filho poder nunca acorda. Claro que a inicio, tal como aconteceu como Ana, Aurora entrou em negação, não conseguia acreditar que uma pessoa tão ativa e alegre de um momento para o outro ficasse numa cama, adormecido, sem qualquer exercício e sem ter o seu tão alegre e expressivo sorriso no rosto, isso era tão raro como um trevo de 4 folhas, Ana não podia lembrar muitos momentos em que Rodrigo não estivesse a sorrir, fosse por que motivo fosse.
Ao fim de 3 meses sem que houvesse qualquer alteração do quadro médico de Rodrigo, Aurora muito lentamente foi habituando-se a ideia que Rodrigo nunca mais fosse acordar, que tinha perdido o seu querido e único filho. Lamentava-se constantemente pois não era justo uma mãe ter que ver o seu filho morrer, essa não é a ordem natural das coisas mas, ao fim de 6 meses, apesar de ainda chorar todas as noites, Aurora começou a levar a sua vida em frente no hotel que toda a vida tinha pertencido a sua família. Para a maioria das pessoas este poderia parecer um gesto insensível mas em realidade o trabalho no hotel era única coisa que mantinha Aurora viva.
Ana não tinha conseguido seguir em frente com a sua vida pois no tempo que tinha estado com Rodrigo, toda a sua vida tinha passado a resumir-se a ele. Ela não tinha um hotel para gerir como Aurora, não tinha pais em que se apoiar, pois tinham morrido 2 anos antes de conhecer Rodrigo, e também não tinha irmãos para a apoiarem, era filha única. A única coisa que poderia tê-la feito seguir em frente, morreu no dia do acidente do seu amor.
Durante aqueles dois anos, Ana passava o máximo de tempo possível com Rodrigo no Hospital, contava-lhe como tinha passado o dia e dizia repetidamente o quanto o amava com esperança que esta declaração de amor pudesse, por fim, traze-lo de volta á vida.
Quando, por fim, tiveram que desligar as máquinas de Rodrigo, Ana sentiu que mais um bocadinho de si mesma morria lentamente. Os dois meses que se tinham passado desde esse dia tinham sido terríveis para ela: não comia bem, não dormia, começou a passar a noite em bares a beber e, por fim, como consequência foi despedida.
Agora encontrava-se ali, sem a sua razão para viver, sem dinheiro e sem emprego.
- Bom dia! – Respondeu Ana sem nenhuma alegria, Aurora olhou para ela com uma ponta de pena. Sabia o quanto aquela mulher amava o seu filho, alegrava-lhe imenso que o seu filho tivesse encontrado um amor tão grande e tão puro antes de se ausentar deste mundo. Mas Ana tinha que conseguir seguir com a sua vida e Aurora prometeu a si mesma que a ia ajudar nem que fosse a última coisa que fizesse na sua vida.
- Então, rapariga? Gostas assim tanto de hospitais que quiseste voltar para cá? – Perguntou-lhe Aurora a sorrir, Ana não lhe respondeu pois os hospitais sempre a faziam lembrar o tempo que tinha passado com Rodrigo naquele mesmo hospital. Aurora ao ver a expressão de melancolia na cara de Ana, ficou seria e disse:
- Não podes passar o resto da tua vida presa com o meu filho. És muito nova ainda, vais arranjar alguém que ames e que te ame em igual intensidade. – Aurora percebeu que Ana ia protestar e acrescentou: - Eu sei o quanto amas-te o meu filho mas não querer dizer que não possas voltar a amar. Tens de te recompor e recomeçar, outra vez, a tua vida.
- Nem sequer emprego tenho. – Comentou Ana com tristeza.
- Isso realmente não é um problema, eu andava a procura de um gestor para o hotel que tenho cá pois vou viver para a Madeira. – Disse Aurora. – Então, estás contratada.
- Não me podes contratar assim, nem sequer me entrevistaste. – Disse Ana espantada.
- Nem preciso. – Respondeu-lhe Aurora com a simplicidade de quem está habituado a resolver todo o tipo de problemas. – Eu conheço-te e sei que és competente. Só foste despedida porque ainda não conseguiste superar a morte do meu filho mas agora isso é diferente porque tu vais levar a tua vida em frente e vais voltar a fazer um ótimo trabalho.
- Mas… - Tentou Ana protestar.
- Sem mas nem meio mas. Vais trabalha lá, se para mais nada então que seja para me ajudares.
- Ok. – Aceitou Ana resignada, por fim, sabia que Aurora era muito teimosa e não ia desistir. Nesse momento entrou dentro da sala um médico.
- Bom dia, dona Aurora. – Disse ele. – Vejo que já a conseguiram encontrar.
- Ah, rapaz! Depois de tantos anos ainda não me consegues chamar apenas Aurora. – Repreendeu Aurora com um sorriso carinhoso no rosto. O médico riu e disse:
- Peço desculpa, é o hábito. – Ana estranhou toda esta familiaridade Aurora nunca tinha dito que conhecia nenhum médico do hospital e também não parecia que fosse da altura em que Rodrigo esteve lá pois eles pareciam conhecer-se a muitos anos.
Ana olhou intrigada para o médico enquanto ele conversava com Aurora. Não devia ter mais de trinta e dois anos, tinha ombros largos e parecia que a bata escondia os músculos. Tinha olhos azuis e cabelo preto. Muita gente poderia dizer que era lindo mas Ana achava que já não podia dizer nada sobre isso os homens já não lhe interessavam. De repente Ana lembrou-se de quem era aquele médico e toda a familiaridade entre o médico e Aurora passou a fazer sentido. Aquele era o médico que Rodrigo ia buscar no dia do acidente, o Adam. Ana lembrou-se também que ele costumava ir regularmente ver Rodrigo e que, apesar disso, nunca tinha trocado muitas palavras pois Ana tinha estado muito fechada no próprio mundo, além do dia em que Aurora os tinha apresentado Ana não se lembrava de ter voltado a falar com ele.
- Então Ana, como é que te sentes? – Perguntou Adam quando por fim terminou a conversa com Aurora.
- Doí-me a cabeça e estou um pouco enjoada. – Respondeu ela envergonhada. Não gostava de ser o centro das atenções, então, raramente se queixava quando se sentia mal, fora o tempo que tinha estado com Rodrigo, sempre tinha sido ela que tinha que tomar todas as decisões e sempre tinha sido ela a tomar conta de tudo sozinha.
- E normal doer-te a cabeça pois bates-te com ela e estas enjoada por causa dos medicamentos que te tivemos de dar. – Explicou Adam. – Não te doí mais nada?
- Não. – Respondeu-lhe ela.

- Bom, então vou embora que o meu turno já acabou. – Disse Adam e logo de seguida saiu do meu quarto.


Comentem, por favor! Se não, eu não sei se gostaram ou não!

- Katra

6 comentários:

  1. Gostei muito (: a forma como está escrito, está simples mas muito bem estruturada. Tens muito jeito, continua assim! Fico a espera do proximo capitulo ;p

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    1. Fico muito contente que tenhas gostado... :)
      O proximo capitulo sai em breve espero que continues a acompanhar...

      - Katra

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  2. gostei bués, fico à espera do próximo capítulo(:
    continua assim , tens futuro ;33
    *fickius

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    1. Obrigado!
      Espero que continues a acompanhar e a comentar mesmo que seja para dizer que nao gostas de alguma coisa

      - Katra

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  3. Gostei... muito

    ps: não te esqueças dos finais felizes

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    1. Ainda bem que gostas te....
      Vou ver se nao me esqueco dos finais felizes mas quem sabe...

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