sábado, 19 de outubro de 2013

Tudo que perdi... - Capitulo 3

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Aurora já tinha ido à uma semana para a Madeira, e Ana estava a dar-se muito bem no trabalho apesar de só estar sozinha á uma semana.
Muita coisa tinha mudado, no último mês, em Ana. Quem a tivesse conhecido no mês passado não a reconheceria atualmente. Não que já tivesse superado de vez a morte de Rodrigo apenas tinha percebido que ia continuar viva, quer Rodrigo vivesse ou não. Não era suicida, logo matar-se nem lhe passou pela cabeça embora muita gente possa ter pensado que seria esse o seu fim.
A primeira coisa que fez ao perceber que ia continuar viva, foi uma mudança completa de visual: cortou o cabelo pelos ombros, pintou-os de castanho e mudou o seu estilo de roupa. No fim desta mudança sentia-se muito melhor, pensou que, se ia começar de novo, deveria começar em todos os sentidos.
Apesar desta mudança, Ana prometeu a si mesma não voltar a amar pois sempre que o fazia essa pessoa morria e saia para sempre da sua vida. Concluiu então, que iria passar o resto da sua vida sozinha. Esta ideia não lhe agradava nem um pouco, por isso, Ana resolveu realizar um dos seus maiores sonhos: ter um filho.
Para isso marcou uma consulta com Adam para que ele pudesse aconselhar-lhe uma clínica, afinal ele era amigo da família, mesmo assim não sabia que não seria fácil para ninguém aceitar essa ideia.
 
*****Adam*****
 
Adam franziu o sobrolho ao ver Ana entrar no seu consultório. Não a via desde o jantar em casa de Aurora depois do acidente de Ana. Aurora tinha voltado a convida-lo para ir lá jantar, mas Adam preferiu dar tempo a Ana para se adaptar à sua nova vida, além disso, tinha percebido que Ana se sentia desconfortável à sua volta.
- Bom dia, Ana! – Cumprimentou ele. – Estás doente?
- Bom dia. – Respondeu. – Não, não estou doente. Preciso de um concelho.
- Um conselho? – Perguntou Adam espantado por ela ter ido ter com ele a procura de conselhos. – Sobre o quê?
- Quero ter um filho e gostaria que me aconselhasses uma clínica de inseminação artificial. – Quando acabou a sua explicação olhou para a cara de Adam e começou-se a rir.
Adam estava totalmente incrédulo, de todos os assuntos, aquele seria o último que ele esperava que ela falasse.
- Porquê inseminação artificial? – Perguntou ele assim que se recuperou do susto. – Porque não esperas encontrar alguém com quem queiras ter um filho? Ainda és muito nova para pensar numa coisa assim tão drástica.
- Eu não posso voltar a amar nenhum homem.
- Porquê?
- Não posso perder mais ninguém. – Respondeu simplesmente. Adam compreendia-a mas ela era muito nova para considerar aquilo como algo definitivo.
- Não podes fazê-lo. Pelo menos, não já. A morte de Rodrigo ainda é muito recente para ti, tens de esperar pelo menos mais um ano para teres a certeza que estás a tomar essa decisão racionalmente. – Tentou-lhe explicar Rodrigo.
- Tu não estás a perceber! – Disse ela, a sua voz continha um pouco de desespero. – Eu preciso desse filho! Eu não posso voltar a estar sozinha.
- Tu não estás sozinha, tens a Aurora e tens-me a mim. – Respondeu-lhe Adam.
- Aurora está na Madeira e eu mal te conheço. Pelo que eu sei sobre ti podias ser um serial killer. – Adam manteve-se calado durante um momento a considerar tudo aquilo. Ela tinha razão eles mal se conheciam mas ele não podia deixa-la fazer uma estupidez tão grande. Precisava de ganhar tempo.
- Espera dois anos antes de fazeres isso.
- Não posso esperar tanto tempo.
- Um ano então. Eu prometo que fico contigo durante esse tempo. – Prometeu Adam.
- Eu não preciso da tua pena. – Comentou Ana com raiva.
- Não é pena. Eu queria que nos tornássemos amigos antes, mas tu não parecias muito bem para fazer novas amizades. – Disse Adam. – Eu não poderia deixar de querer ser teu amigo depois da maneira como fizeste o meu melhor amigo feliz.
 Ana avaliou-o durante um longo, longo tempo e, por fim, disse:
- Está bem. Um ano e nem mais um dia. – Sorriu triste e acrescentou: - Vamos ver se me aguentas durante tanto tempo. – Levantou-se da cadeira e dirigiu-se para a saída.
- Ana. – Chamou Adam. Ele estava contente por ter conseguido que ela mudasse de ideias. – Amanha queres ir jantar comigo?
- Pode ser. – Respondeu. Adam sabia que não ia ser fácil conseguir a sua confiança ou afeição, não depois que ela tinha admitido que não queria sofrer mais, mas ele sabia que não ia desistir. Ela ia ter que acabar por ceder e ele ia mostrar que nem toda a gente vai embora.

-Katra

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